Num universo de dimensão ainda desconhecida, a Terra é o único planeta conhecido no qual a experiência da vida deu certo. Aqui aconteceu uma rara e perfeita combinação de fatores que permitiu o surgimento não só de formas primitivas de vida, mas também de uma forma sublime que tem consciência de sua própria existência e consegue evoluir pelo acúmulo de conhecimento através de gerações.
Essa forma de vida rapidamente dominou todas as outras no planeta, sendo capaz de em pouco tempo, erguer uma civilização fantástica que hoje explora as fronteiras mais longínquas do conhecimento numa busca insaciável por riqueza, poder e saber.
Durante milênios essa evolução se deu aos tropeços, tratando com desprezo vidas e recursos naturais sem, entretanto, conseguir perturbar o perfeito equilíbrio entre todos os elementos e forças que tornaram possíveis a vida na terra.
O século XX trouxe novidades. Com o avanço da ciência, o homem adquiriu a capacidade de multiplicar força e realizar trabalho numa escala quase divina. Mas tal qual uma criança desajeitada com um brinquedo novo que não entende e maneja mal, o homem hoje ameaça o equilibro do planeta e consequentemente sua própria existência.
O planeta está se tornando pequeno sob todos os aspectos. A população mundial atual é da ordem de 6,1 bilhões de habitantes e o planeta já demonstra sinais de esgotamento. Estima-se que a população só venha a estabilizar em 2050, quando seremos aproximadamente 9 bilhões de habitantes a necessitar de recursos que hoje já se mostram escassos.
É paradoxal, mas se todos na terra consumissem água, alimento e energia nas quantidades mínimas recomendadas pela própria Organização das Nações Unidas - ONU, o mundo entraria em colapso.
Já temos hoje, evidências claras, que crises decorrentes de carência de água, energia, alimento e recursos naturais se tornarão cada vez mais freqüentes. Na medida em que os recursos se tornam mais escassos os conflitos se agravarão.
Sem água e alimento, a vida se torna impossível. Atualmente morrem milhares de pessoas diariamente por desnutrição e desidratação.
Sem energia, voltaremos à idade da pedra. Nesse aspecto as perspectivas não são muito alvissareiras, pois a matriz energética mundial está fortemente vinculada à queima de hidrocarbonetos.
Sabemos que as reservas mundiais de petróleo talvez abasteçam a humanidade por 40 ou 50 anos. O gás talvez dure 80 anos e o carvão mineral um pouco mais. Além disso, a queima de hidrocarbonetos contribui para o efeito estufa, que leva a mudanças climáticas e a outras conseqüências altamente indesejadas.
Infelizmente ainda não existem alternativas economicamente
viáveis para substituir esses três recursos naturais utilizados
para geração de energia. Todas as fontes alternativas como
geração fotovoltaica solar, eólica, termonuclear,
hidrogênio, etanol, movimento de marés ou outras, ainda são
caras ou não atenderiam a atual demanda. A geração
em hidrelétricas está relacionada com o potencial hídrico
que está praticamente no limite na maioria dos países do mundo.
Todo esse quadro é agravado por uma crise social contínua
decorrente da má distribuição de renda, que já instabiliza
países considerados ricos, que vêm sofrendo uma invasão
silenciosa de miseráveis de todas as partes do planeta, em busca
de sobrevivência e oportunidades.
A humanidade está diante de um grande desafio. Estamos vivendo um momento de mudanças globais nunca antes experimentadas e ninguém, nem mesmo a comunidade científica conhece com precisão o resultado desses processos em curso. Degelo de neve perene e calotas polares, destruição da camada de ozônio, desertificação, efeito estufa e tantos outros fenômenos que aos poucos vem sendo decifrados, podem colocar em risco a humanidade ou trazer grande sofrimento, principalmente para as populações mais pobres e cronicamente carentes.
Nesse cenário, fenômenos naturais que sempre existiram tendem a gerar desastres ampliados, pois a concentração da população e a complexidade dos centros urbanos tornam o conjunto extremamente vulnerável à maioria dos fenômenos naturais. Some-se a isso, desastres tecnológicos e outros decorrentes da atividade humana.
Além disso, travam-se verdadeiras batalhas, algumas em campos reais, outras em campos virtuais, que contrapõem interesses de países, nações, etnias e grupos, num jogo onde a vida alheia não tem valor e onde ética e moral são colocados à margem do processo decisório.
A continuidade dessa política internacional e desse pensamento nos levarão a um futuro bastante incerto e provavelmente doloroso para uma maioria.
Por outro lado, nós a maioria das prováveis vítimas de todo esse processo, isoladamente somos impotentes. Enquanto não existir uma consciência coletiva que como um diapasão vibre numa freqüência uníssona no sentido de buscar drásticas mudanças de rumo, nada de positivo acontecerá no prazo que a situação requer.
Esse pensar e agir coletivamente em prol do futuro de todos, talvez seja o passo necessário para que a humanidade galgue o próximo degrau na escala evolutiva.
Temos plena consciência que nossa iniciativa é pífia e até pretensiosa. Sabemos também que nossa existência é finita e que provavelmente não chegaremos a viver no cenário que vem se delineando.
Mas simplesmente deixar acontecer não é uma solução aceitável. Assim, estamos empreendendo esse esforço sem esperança de retorno ou benefício próprio e o fazemos por amor aos nossos filhos e às próximas gerações.
Críticas, sugestões ou correções: ofca@ofca.com.br