03/11/07 – Rio: falta de colchões reduz o número de leitos no hospital Rocha Faria.
O Hospital Estadual Rocha Faria em Campo Grande – RJ chegou a um nível de precariedade tão crítico que 30 leitos foram desativados pela simples falta de colchões. Além dos colchões faltam itens básicos como algodão ortopédico, gaze, fio de sutura, morfina e anestésicos, entre outros materiais e medicamentos.
Consta ainda que o hospital só não parou pelo fato dos funcionários estarem se cotizando e pelo fato do comércio local estar fazendo doações.
A situação é semelhante nos Hospitais Pedro II, em Santa Cruz e no Getúlio Vargas, na Penha.
Quando em janeiro de 2007 o Governador Sérgio Cabral assumiu o mandato, logo no inicio fez uma visita aos hospitais da rede pública estadual. Em seguida deu declarações teatrais que estaria horrorizado com o caos reinante nos hospitais públicos estaduais. Segundo Sérgio Cabral: “uma coisa é o criminoso matando inocentes, outra é o Estado cometer genocídio. Aqui morre mais gente do que na luta lá fora”.
É no mínimo estranho que um candidato a governador não soubesse o estado em que encontraria o sistema de saúde estadual se ganhasse as eleições. A ser verdade, demonstraria apenas despreparo do candidato para o cargo, já que a saúde pública se encontrava numa crônica falência diariamente noticiada nos jornais.
Ainda que quiséssemos crer que o governador estava de boa fé ao dar aquelas declarações teatrais, agora temos certeza que é apenas mais um político despreparado que a exemplo dos demais, administra uma realidade virtual com discursos vazios e sem responsabilidade.
O que mudou de janeiro a novembro? Rigorosamente nada. Os hospitais públicos continuam no mesmo estado de indigência.
Desativar leitos por falta de colchões e materiais essenciais é o cúmulo da ausência de administração e planejamento.
Já está claro que pouco podemos esperar desse governador. É lamentável que esse seja o padrão de homens públicos que a nós se impõem como administradores.
É triste saber que diariamente morrem pessoas pela negação de um serviço que é uma obrigação do Estado para com o cidadão e que ninguém na esfera administrativa seja responsabilizado.
Fica a pergunta: até quando seremos atores desse show de horror?
Leia também:
24/10/07 Saúde Pública desastre e caso de polícia