06/11/07 – Licitação de caças será retomada.
O comandante da Aeronáutica, Junito Saito anunciou que a partir de 2008 o governo reabrirá o processo de compra de aviões de caça para a FAB.
Mais uma vez o governo mostra que não o país vive uma crise de gestão e planejamento.
Quando Lula assumiu seu primeiro mandato, a FAB já estava sucateada com aeronaves obsoletas e voando além do tempo de vida media útil.
Numa encenação teatral e demagógica, Lula em 2003 resolveu suspender o processo de compra de novas aeronaves. Alegou que aqueles recursos seriam muito mais bem empregados na compra de alimentos para combater a fome no país.
Na época o processo de compra estava em fase adiantado e seriam empenhados U$ 700 milhões para compra de no mínimo 12 aeronaves de caça.
Depois, em outras oportunidades o presidente voltou a afirmar que o processo de compra seria retomado. Como sempre, ficamos nos discursos.
Numa avaliação superficial o saldo é pouco animador.
Obviamente o problema da fome que é estrutural, não se resolveu. Desde 2003 até a presente data a FAB só foi mais sucateada. Nosso espaço aéreo e a Zona Econômica Exclusiva – ZEE são precariamente patrulhados, pois a Marinha, tal qual a Aeronáutica está sucateada.
É ingenuidade imaginar que, no contexto atual, um país como o Brasil possa abrir mão de forças armadas devidamente equipadas e guarnecidas por pessoal adestrado.
Estão em jogo soberania, fiscalização de fronteiras, efetiva ocupação e a salvaguarda de interesses nacionais.
No cenário atual, uma fraqueza que possa ser interpretada como vulnerabilidade pode representar um convite a um ato hostil, seja de Estados vizinhos, seja de grupos como as Farcs ou outros. Ainda que a dimensão e a população do Brasil em si sejam características dissuazoras a negligência com a defesa pode ter um custo elevado.
Além disso, é inadmissível que assuntos estratégicos que demandam planejamento coordenado e visão de longo prazo sejam decididos ao sabor de crises e em pautas de discursos.
Enquanto brincamos de trocar aviões por bolsa esmola e outras modalidades de perpetuação de miséria, o contrabando viceja, a Amazônia está sendo ocupada e explorada por estrangeiros e pouco sabemos sobre a atividade das Farcs ou outros grupos em nosso território.
Para finalizar, resumimos tudo numa frase cuja autoria não é nossa: “nunca na história desse país estivemos tão vulneráveis”.
Leia também:
18/10/07 Aparato militar de países vizinhos preocupa a FAB