11/11/07 – Lula vive o futuro do pretérito.
Se a jazida de petróleo recentemente descoberta e em fase de avaliação estivesse produzindo hoje, Lula poderia ficar se vangloriando do Brasil ser um grande produtor de petróleo e disparar outras bravatas.
Colocando tudo em seu devido lugar, Lula não tem nenhum mérito pelo fato do petróleo estar lá no fundo do mar. Talvez nem se deva creditar a ele o programa de pesquisa através do qual a Petrobrás fez a descoberta.
Ao presidente e sua equipe podemos creditar sim, a falta de planejamento que levou ao desabastecimento de gás e que nos impôs um racionamento. Segundo Lula, um “probleminha”. De acordo com técnicos do ramo, uma deficiência que tende a se arrastar por 5 anos ou mais, podendo se agravar.
A verdade é que essas jazidas só entrarão em produção quando Lula já não estiver no governo. Entretanto nosso presidente insiste em desfrutar da descoberta como se hoje fosse de alguma utilidade para atenuar a crise instalada e que vem causando prejuízos ao país e a todos aqueles necessitam de gás como combustível e fonte de energia.
Quanto à bravata de reduzir a cotação do petróleo no mercado internacional, só pode ser encarado como uma piada ou como mais uma declaração impulsiva, fruto de uma visão infantil muito limitada do mundo real.
O petróleo é um recurso finito. Talvez possa suprir a humanidade por mais 40 anos, se muito. Sua cotação no mercado internacional só tende a subir.
Por volta de 2010, mais tardar 2015, a produção mundial de petróleo terá atingido o seu ápice. Grande parte das jazidas existentes, tendem a entrar no ramo descendente da curva de produção.
Essa afirmação não é uma hipótese e sim um fato que tem relação com o chamado Pico de Hubert, observado na curva de extração em jazidas de petróleo.
Hubert descobriu, com base em estudos nos campos de petróleo americanos, que toda jazida tem um pico de produção que corresponde aproximadamente a 50% da reserva total. Esse pico é detectado quando é observada uma queda na taxa de produção anual da jazida.
No mundo existem atualmente 112 países produtores de petróleo. Desses, 42 respondem por 98% da produção mundial e o restante só produz 2%. No conjunto mais de 50 países já ultrapassaram o pico e estão com produção declinante à taxas que variam de 2% a 4% ao ano.
Entre esses países estão alguns dos maiores produtores.
Portanto falar em baixar preço de petróleo é um contra-senso total. Mesmo que o presidente quisesse fazê-lo, não seria possível, a não ser que doemos recursos brasileiros aos países consumidores de petróleo.
Em vez de fazer promessas vãs, típicas de comícios para operários, o presidente deveria administrar o que hoje está ao seu alcance, para evitar que no futuro mergulhemos em crises mais sérias.
O Brasil precisa iniciar um programa de reestruturação da matriz energética para no prazo de 15 anos ser menos dependente do petróleo.
Se não houver planejamento hoje, num futuro próximo estaremos vivendo crises muito mais sérias e discursos sobre o futuro não nos salvarão.
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Bruno Engert Rizzo