19/10/07 – Rio: morte em combate.

Mais um agente da lei tomba no combate ao crime no Rio. Dessa vez foi o policial civil Sérgio da Silva Coelho que ontem participava de uma operação na favela da Coréia.

As autoridades tratam o assunto como mera estatística, pois o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame presente no enterro do policial , limitou-se a afirmar que as operações continuarão.

A atual estratégia de confronte de força é inadmissível, principalmente por ter como efeito colateral, a morte de pessoas de bem. Além disso é uma estratégia burra e inócua, pois sempre que a polícia invade uma favela, a força opositoria revida, se retrai e some no labirinto de becos, ruelas e tuneis.

Os traficantes encastelados nas favelas não serão derrotados com uma simples estratégia de confronto. Não é de hoje que as autoridades confundem Política de Segurança Pública com tática de invasão de morro.

Enquanto não existir uma Política de Segurança Pública consistente, o crime organizado progressivamente assumirá o papel do Estado até dominar a sociedade. Os primeiros passos já foram dados. As favelas são hoje territórios com poderes judiciário, executivo e legislativo próprios, onde a soberania nacional não existe e o cidadão não tem os direitos mais elementares respeitados.

O crime vem financiando a formação de profissionais como advogados, magistrados e policiais além de infiltrar políticos no poder legislativo. Aparentemente o crime organizado já tem Inteligência e Contra-Inteligência mais estruturadas que aquelas do Estado brasileiro, que não consegue se coordenar para enfrentar essa ameaça. A crise se arrasta há mais de trinta anos e só vem tomado contornos mais graves a cada ano.

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