21/10/07 – Na contramão da economia.
Com 12% das estradas pavimentadas, o país tem um prejuízo de R$ 20 bi por ano. A estimativa é resultado de um estudo preliminar feito pelo Centro de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro – CEL/UFRJ. Na prática esse prejuízo é muito maior que aquele apurado. A ineficiência dos transportes desestimula investimentos em novos empreendimentos. Além disso, há um dano intangível que são as mortes diárias nas estradas, parte delas em decorrência de má conservação. O Brasil, pela dimensão de seu território e pelas características geográficas poderia ter um transporte muito mais eficiente e barato. Por um erro de estratégia, optamos por desenvolver uma malha rodoviária extremamente radiculada enquanto meios mais eficientes como ferrovias e hidrovias foram relegados a um papel secundário. A infra-estrutura portuária do país ainda é ineficiente e não tem capacidade de atender plenamente a demanda. O sistema aéreo está em crise. Porém, toda crise é uma janela para a oportunidade. Seria o momento para projetar uma malha viária para o país, integrando ferrovias, hidrovias, navegação costeira e rodovias. A título de comparação, em valores médios, um litro de combustível transporta um tonelada de carga por 25 km em rodovia, 86 km em ferrovia e 219 km em hidrovia ou navegação costeira. Ainda que um projeto viário novo seja executado no longo prazo, em algum momento precisa ter inicio. Tecnicamente as rodovias não deveriam servir para o transporte de cargas a grandes distâncias. Além da questão da eficiência anteriormente mencionada, carga pesada gera mais desgaste e demanda pavimentação com características técnicas melhores. Com distâncias tão grandes a percorrer, a estratégia ideal seria criar meios para escoar carga, utilizando prioritariamente dutovias, hidrovias e navegação costeira, cujos custos são muito baixos. Onde não é possível instalar hidrovias ou dutovias, a segunda opção para cobrir grandes distâncias são ferrovias. As rodovias deveriam ser utilizadas prioritariamente para integração e veículos de pequeno porte. A mercadoria brasileira poderia chegar ao destino a preços mais interessantes o que seria um alívio para o consumidor interno e melhoraria a competitividade de produtos brasileiros no exterior.
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