22/10/07 – Rio: Favela da Coréia deverá ter ocupação permanente.

Na semana passada a favela da Coréia em Senador Câmara, foi palco de uma verdadeira guerra urbana. O confronto entre policiais e bandidos deixou saldo de 13 mortos, entre eles um policial e uma criança.

Ontem o Comandante do 14º BPM anunciou que existe um projeto para ocupar permanentemente a comunidade. A primeira crítica é que esse é o tipo de informação que não deve ser divulgada. Pois traduzindo seria: “bandidos, estamos preparando uma operação secreta para prender ou matar vocês. Portanto, mudem-se antes”

Mas pior que a paparrotada é ação anunciada que é típica de um planejamento desarticulado, que mais uma vez demonstra não existir uma Política de Segurança Pública. Pacificar uma favela e mantê-la ocupada demanda um efetivo de homens que não pode ficar permanentemente imobilizado numa favela. Mesmo porque existem outras favelas.

Como bem sabemos as facções criminosas tem estrutura e logística flexíveis o que lhes permite se retrair e atuar em outras áreas diante do inimigo mais forte. O trabalho de pacificação deveria ser visto como um dos itens da Política de Segurança.

A pacificação e ocupação teria que ser seguida da urbanização e do trabalho social. A urbanização é uma peça fundamental na questão da segurança, pois somente através dela é possível destruir as defesas utilizadas por criminosos e principalmente integrar as áreas deterioradas ao espaço urbano em condições de igualdade com o restante da cidade.

Urbanizar representa implantar vias largas e respeitar a legislação urbana na íntegra. Não pode haver uma lei de uso do solo especial para favelas. Enquanto a questão for tratada de forma tão discriminatória, favelas permanecerão favelas e a questão da segurança não se resolvera.

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Bruno Engert Rizzo