24/10/07 – Saúde Pública, desastre e caso de polícia.
A escassez de recursos e o improviso nos hospitais públicos beira as raias do crime.
As fotos veiculadas nos jornais de pacientes sendo operados com furadeiras domésticas, jogados em macas de necrotérios e imobilizados com papelão de embalagens descartadas, são chocantes e mostram que chegamos ao fim da linha do abandono e do descaso.
Essa situação talvez fosse aceitável como excepcionalidade num eventual desastre ou em frente de combate, onde houvesse um número de vítimas muito superior à capacidade de absorção do sistema de saúde. Mas quando o caos vira rotina algo está errado.
A simplicidade, indiferença e o descaso com que as autoridades tratam o assunto é revoltante. Esses farrapos ensangüentado, tratados como gado em abatedouro, são seres humanos e é inadmissível que assim sejam tratados.
O Ministério Público precisa ser mais ativo e efetivamente responsabilizar aqueles que foram eleitos para administrar a coisa pública e o fazem de forma tão negligente e criminosa.
O caos na saúde pública caracteriza a condição de desastre e como tal deveria estar sendo tratada para ser reconduzida a uma condição de rotina aceitável. Já a negligência e a irresponsabilidade deveriam ser tratadas como crimes.