25/10/07 – Rio: cidade interditada.

Desde ontem, com o desabamento do talude sobre o acesso do túnel Rebouças em Cosme Velho e em conseqüência da chuva, o Rio está vivendo um caos. Com a cidade paralisada, ruas alagadas, carros enguiçados e pessoas sendo obrigas a se lançar na água contaminada, vem a inevitável pergunta: quem é responsável. Infelizmente não existe uma resposta fácil, pois a origem do caos está relacionada com o crescimento desordenado e com o processo de favelização da cidade do Rio de Janeiro. Ambos vêm ocorrendo há décadas e ninguém até hoje teve coragem de encarar os fatos. O problema é técnico e não tem solução com discursos, muito menos com obras de maquiagem. O crescimento desordenado leva à remoção de cobertura vegetal e impermeabilização de grandes superfícies com conseqüente aumento do volume de águas pluviais e carreamento de sólidos para galerias de águas pluviais. Além disso, o Rio de Janeiro tem um solo de formação geológica complexa, com encostas e taludes sensíveis a escavações. Para completar, a infraestrutura viária está saturada e não há como fazer expansões. O mesmo ocorre com as galerias de águas pluviais. Esse conjunto de fatores aponta para uma única solução que se chama ordenamento urbano e respeito à legislação. A cidade do Rio de Janeiro necessita de uma grande intervenção urbana, planejada em conjunto com a área de segurança pública para definitivamente tirar a população do calvário ao qual vive submetida. Tal intervenção implica em remover favelas, implantar eixos e anéis viários e redimensionar as galerias de águas pluviais. Obviamente um projeto dessa envergadura não poderia ser obra de um governo e sim de vários governos consecutivos, que precisariam se comprometer com uma solução de longo prazo. Por uma razão difícil de compreender, criou-se uma lei tácita, segundo a qual ser pobre é um salvo-conduto para desrespeitar a lei. Pior ainda, criaram leis municipais que praticamente legitimaram as favelas tornando sua remoção difícil, para não dizer impossível. As soluções até hoje implantadas se mostraram inócuas e na prática só fomentaram o caos. Se o problema não for administrado com a seriedade que sua dimensão demanda, todo ano as tragédias se repetirão e se tornarão mais graves.

Críticas e comentários
O Futuro Começa Agora