26/10/07 – Favelização aumenta o risco de instabilidade de encosta.

Não é preciso ser um especialista para concluir que a favelização aumenta o risco nas encostas.

Entretanto, um especialista daria a explicação que segue.

O processo de favelização tem inicio com o desmatamento que altera todo regime de absorção e escoamento de água superficial, além de propiciar o carreamento de partículas sólidas.

Dependendo da natureza do solo, da inclinação do talude e da percolação da água, o material pode se tornar instável o que leva à ruptura do talude. Muitas vezes a ruptura ocorre durante o processo de escavação. Outras vezes ocorre por ocasião de chuvas intensas que saturam o solo, elevando seu peso peso específico até o limite de ruptura. Mas o processo também pode ser lento, vindo o talude a romper muitos anos deposi de ter sido desconformado.

O segundo fator de potencialização de risco é a própria construção leiga. Primeiro pelo fato de ser necessário fazer cortes e aterros para construir em terrenos inclinados.

Escavar e aterrar encostas demanda um estudo e normalmente só é viável com a implantação de contenções ou tratamento de superfície de taludes. Estas são obras caras e demandam conhecimento técnico que vai muito além de saber misturar água cimento, pedra e areia.

Para completar, as construções criam grandes áreas impermeáveis que captam água de chuva sem que exista drenagem adequada. Tal deficiência leva a água a escoar superficialmente por caminhos nem sempre desejados.

O resultado pode ser a saturação do solo com o conseqüente aumento do peso do maciço que rompe levando consigo o que estiver a montante e jusante.

Mas a favelização não representa um risco apenas para as áreas indevidamente ocupadas.  O fato de inexistir proteção superficial e da água escoar carreando partículas sólidas, compromete toda rede de drenagem de águas pluviais das áreas urbanizadas para onde a água aflui.

A conseqüência é o permanente assoreamento da rede de galerias demandando trabalho de desobstrução numa periodicidade difícil de acompanhar.

Estes são os riscos diretamente ligados à estabilidade de taludes. Entretanto existem outros riscos como o de desabamento de construções leigas e mesmo a dificuldade de acesso de veículos de socorro para desastres como incêndios e explosões.

Portanto, permitir que o processo de favelização tenha continuidade deveria ser tratado como crime de responsabilidade que afeta toda a cidade.

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Bruno Engert Rizzo