28/10/07 – Mulheres já assumem postos de comando no tráfico do Rio.
A notícia não é novidade, como também não é o fato de cada vez mais adolescentes e mesmo crianças estarem ingressando no crime. Essa é mais uma das inúmeras provas que o crime organizado está avançando, crescendo e se profissionalizando a sombra da omissão, negligência ou incompetência do Estado de desenvolver e implantar uma Política de Segurança Pública com reais resultados. Na prática, em decorrência da inexistência há décadas de uma verdadeira Política de Segurança Pública alicerçada sobre as bases de um planejamento consistente e de longo prazo, está se implantando no Brasil uma estrutura cada vez mais poderosa que não só corrompe a sociedade como também a leva à decadência. Assassinatos, tiroteio, execuções, tráfico, contrabando, pirataria, seqüestro, e praticamente todos os crimes do código penal estão se tornando banais e quotidianos. Nada mais nos choca e perdemos a capacidade de indignação e rejeição. O povo, apesar de acuado e desgostoso, não têm capacidade de perceber quem são os verdadeiros responsáveis pelo estado de caos em que vivemos. Os responsáveis por sua vez, cinicamente fingem que não têm qualquer relação com o processo e sua responsabilidade parece se encerrar com discursos e promessas. Com isso a crise da segurança só vem se agravando. Estamos muito próximos de um ponto de difícil retrocesso. As favelas já são hoje feudos dominados por criminosos acima da lei e da ordem, que vêm expandindo os domínios sobre as áreas adjacentes. Nesses territórios, o Estado já não tem os poderes e ele outorgados pela constituição. A continuidade desta fracassada política de fachada nos levará a um regime medieval, no qual estado e crime se superpõem disputando sociedade e território para reinar.