31/10/07 – Pão e circo: a copa é nossa.

O Brasil conquistou o privilégio de sediar a copa do mundo de 2014. Com isso o povo tem assunto para mais sete anos.

Há alguns anos o Rio de Janeiro conquistou o direito de sediar os jogos Panamericanos de 2007.

Durante toda fase preparatória ouvimos discursos do presidente, do governador e do prefeito acerca da grande conquista e dos benefícios que o evento traria para o Rio de Janeiro.

Os jogos Panamericanos passaram. Qual foi o legado? Algumas medalhas conquistadas por atletas brasileiros abnegados, estes sim, verdadeiros heróis, alguns engenhos esportivos espalhados pela cidade, helicópteros, equipamentos e outras inutilidades que sem um planejamento adequado para seu emprego racional, em breve serão sucatas. A segurança continua falida, a saúde um caos e o transporte ineficiente.

O país está imerso em crises que parecem não ter fim. Os governos têm sido incapazes de criar e implantar planos que resolvam problemas estruturais essenciais. Agora prometem arrumar a casa para copa de 2014. A infra-estrutura viária do país é fundamental não para a copa do mundo, mas sim para o Brasil. O mesmo vale para a segurança pública, para a saúde e para o ensino.

Mas tudo aqui funciona às avessas. Portanto, com a copa de 2014 parece que está satisfeita a principal necessidade do povo. O circo está garantido e o pão pode ser substituído pela cerveja acompanhada dos programas popuplistas como "bolsa miséria".

O custo oficial da organização do evento foi orçado em U$ 6 bilhões. Como é de praxe, sabemos que esse valor será estourado, pelo nefasto binômio corrupção e incompetência administrativa.

É impressionante que a grande maioria dos brasileiros receba a notícia com euforia, sem questionar o caos que reina no país.

A título de comparação, o custo estimado do evento praticamente equivale a 50% do orçamento de 2008 da união para a combalida área da educação. Ou seja, é aceitável conseguir recursos suplementares para sediar uma festa, mas impossível aumentar o orçamento da área da educação que vive no estado de indigência.
 
Conclui-se que nós os brasileiros indignados com a situação do país, somos os alienados, pois o grande povo se compraz com pão e circo.

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Bruno Engert Rizzo